quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Suor

Seremos sempre desconhecidos
Teu suor nao diz nada
Minha boca sem significado
Resume em poucas horas
Encontro de corpos planejado
Só o presente trespassado
De dor fina na carne castanha
Penetrada pela penumbra
Da casa deserta
Com suas paredes frágeis
Ouvidos de mercado a contar histórias
Daqueles que aqui estiveram
Sem alcançar o gozo
Vindo da boca nao tocada
Protegida contra o futuro
Temeroso de surgir algo mais
Sem perceber que é parte do suor que escorre.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Desistir

Palavras etéreas
A espera de papel branco
Mas ele não chega
É meio - dia
Só a certeza
Mesa vazia
Pratos a secar
Janelas abertas
Nem vem o vento
É desistir
Descansar
Vem outro dia
Tem o silêncio
Ausência eterna
Tempo a passar

Sem Fuga

Fugindo da tua lembrança
Afundo o corpo em colchões finos
Jogados sobre o chão dessa sala
Cujas janelas fechadas encobrem insanos

Fugindo da tua lembrança
Desligo a mente pensativa
Fica o corpo, animal antigo
Na procriação protegida

Fugindo da tua lembrança
Faço a música cobri as paredes
Varro a poeira por debaixo da porta
Dobro os lençóis

Fugindo da tua lembrança
Acabo indo em direção ao passado
Desenterro imagens
E no fim, não há como fugir.

Céu de concreto

Voaste em direção ao céu de concreto
Zona proibida pelos palavras sagradas
Que tu alcançou
Silenciosamente seguiu a paz
Calmaria cinza escondida na noite
Da cor do asfalto que acolheu teu desespero
Bebendo teu sangue novo
Salgado a face dos que ama
Sem chance de despedida
Na tentativa de te prender
Te reerguer em direção ao verde
Afastado pelos anos do teu olhar
Compreendido por poucos
Que agora te carregam para a eternidade
Destes dias sem sentido